Todo mundo tem um pouquinho de TOC, sabiam?

O negócio tá ficando bom. Já tem uma quantidade, razoável, de pessoas me perguntando, diariamente, sobre as minhas péLôlas. Isso pode ser um bom sinal, sinal de que eu estou atingindo o meu objetivo inicial, fazer as pessoas rirem. Sei que, naturalmente, sou uma pessoa sem filtro, espontânea, sem noção (mas saibam, o meu “sem noção” é controlado, viu?), tudo isso, por si só, já deve ser motivo para que as pessoas, perplexas, riam. Mas fazer rir ao vivo é uma coisa, a resposta é mais rápida, você logo vê a reação das pessoas. Agora, escrever histórias que, de fato, aconteceram comigo, e conseguir fazer com que as pessoas, ao se transportarem para o tempo em que elas ocorreram, visualizando os fatos, riam, isso é outro papo, é mais difícil. Não consigo dimensionar a reação de quem lê o que escrevo. Eu, sozinha, morro de rir quando começo a pensar nas péLôlas, antes de colocá-las no Blog. Como posso ter passado por tanta coisa divertida? A péLôla de hoje, por exemplo, aconteceu, se não me engano, em 2006. Eu ainda trabalhava na Alelo, antiga Visa Vale. A empresa era e ainda é em Alphaville. Não éramos tantos funcionários naquela época. Talvez, por essa razão, fossemos tão unidos. Aliás, tenho ótimas lembranças da minha fase na Visa Vale. Fiz grandes amigas por lá. Bom, vez ou outra, nós, um grupo de umas dez ou quinze pessoas, fazíamos almoços mais longos, mais felizes. Sempre que podíamos escolher com quem queríamos almoçar, optávamos por estarmos juntos. Como diz uma amiga minha...”na maioria das vezes, você não consegue escolher seu chefe, embora possa abandonar, aqueles mais boçais, depois de um tempo. Mas, pelo menos, escolher com quem você quer almoçar deveria ser uma prerrogativa da pessoa.” E não é que ela tem razão? Pensando bem, será que o pessoal que trabalha comigo almoça comigo porque escolhem almoçar comigo ou porque ainda não conseguiram me abandonar? Credo. Nem vou pensar nisso hoje...vou deixar para perguntar para eles na segunda. Com não tenho filtro mesmo, a pergunta deverá soar normal. Voltando à péLôla...preciso deixar de ser prolixa...meu pai me deu esse feedback. Num daqueles dias, em que podíamos escolher com quem almoçar, fomos, o grupo todo, a um restaurante japonês lá no Alpha 5. Não me lembro do nome do lugar, mas me lembro muito bem dele. A história que vou escrever hoje vai mostrar que eu nunca mais poderia me esquecer de lá. Mas também há outro ponto importante. Ao chegar ao local, nós nos deparamos com o Netinho de Paula, manjam o Netinho, nome artístico de José de Paula Neto, político filiado ao PCdoB. Na ocasião, o fofo estava sendo acusado de ter batido na Taís Araújo. “Taís, sou mais o Lázaro Ramos, viu?” Pai, desculpe-me mais uma vez, mas preciso fazer uma reflexão no meio dessa história toda...como pode haver um partido Comunista no Brasil? Será que a nossa união à Cuba está próxima? Mas vamos lá. Esqueçam toda essa história do comunismo e vamos voltar a 2006. Alguns dias antes de irmos ao tal almoço, nós recebemos, no Marketing, como de praxe, um calhamaço de revistas, supérfluas e não supérfluas, da Leo Burnett, que era nossa Agência de Publicidade. Recebemos a Caras, a Cláudia, a Exame, a Isto é, enfim, uma série de revistas. Nós as recebíamos sempre. Praxe mesmo. Lembro-me de ter pego aquelas revistas, as mais supérfluas, para folhear. Li a Caras, dei uma olhada na Cláudia, que sempre tem dicas de moda, de saúde, até de signos ela trata. Na Cláudia daquele mês, em uma página dupla, havia um anúncio de um lenço umedecido antisséptico. Sinceramente, eu não me lembro da marca do lenço, mas eu me lembro bem do “free sample” do produto. Nunca tinha visto aquele formato. Eu sempre tive, em minha bolsa, álcool gel, mas também sempre fiz uma lambança nela com frascos mal fechados. É impressionante como eu nunca fecho o frasco direito. Bom, achei o produto interessante. Eu o destaquei da revista e o coloquei em minha bolsa. Pensei...vou ver se acho um pacote na farmácia e passa a usar esse tipo e não mais o álcool. É importante que saibam que tenho alguns TOCs. Não chegam a ser um distúrbio mental, como no caso do Roberto Carlos, o Rei, mas eu os tenho. Fazer o que? Eu lavo as mãos o tempo todo. Odeio mãos sujas. Sempre tenho álcool gel em minha bolsa, no banheiro, nos quartos da minha casa. Não chego a ser um Howard Hughes, bem representado, por sinal, pelo Leonardo DiCaprio, no filme O Aviador, pois não chego aos seus extremos, mas gosto das minhas mãos sempre bem limpinhas. A Laís também me puxou nisso. É mole? Um outro toque “estranho” que tenho é odiar as marcas dos joelhos, ao dobrarmos as pernas, quando estamos vestindo calças jeans. Mas é só com calça jeans que eu tenho isso. Se a gente decide não ver Zorra Total e, de repente, dar uma saída em um sábado qualquer, no geral, gosto de vestir uma calça jeans. Eu chego a ficar de pé, até o Luiz ficar pronto ou quem quer que seja que tenha que ficar pronto, para descermos até o carro. No carro, procuro ir no banco de trás, pois posso esticar as pernas. O meu TOC é o seguinte: as marcas nos joelhos só podem aparecer depois que cheguei, e de já estar, há algum tempo, no lugar de destino. Antes de chegar lá, tem que parecer que acabei de vestir a calça. Transtorno obsessivo-compulsivo. Fazer o que? Back to the Japanese Restaurant. A história rolou lá. Esse restaurante, cujo nome me fugiu, era um rodízio. Éramos uns dez ou mais de dez à mesa e a comida vinha sem miséria. Vinha de tudo e mais um pouco. A gente comia, ria à beça, e também ficava espiando o jeito como o José de Paula Neto se portava. Vai que ele resolvesse bater na garçonete porque ela tava dando mais atenção a nossa mesa? Teríamos que acionar a polícia. Gente, como se não bastasse toda aquela comida do rodízio, o saquê, básico, no final, dentro do pacote, ainda estava um sorvete de creme, para cada um, com calda de chocolate. Era uma urgia alimentar. Uma loucura. Mas o meu peso ainda era de tchu tchuca. Eu estava, inclusive, namorado o Luiz, meu marido, pai da Lála. Já tinha me separado do meu primeiro marido e estava in love com o Luiz, acometida de paixão. Nesse dia, inclusive, ele deu um jeito de se sentar bem em frente a mim. Nós comemos, comemos, ficamos de olho no Netinho, rimos, choramos de rir, comemos um pouco mais, bebemos saquê pra caramba, menos o Luiz, é claro, usamos shoyu pra cacete, tomamos sorvete de creme com calda de chocolate e ainda pedimos um cafezinho, com adoçante, é claro, antes da conta. E o papo continuava. Mas eu já estava incomodada. De duas uma, ou eu teria que me levantar, ir até o banheiro, lavar as mãos e voltar, demonstrando o meu TOC a todos, ou, por que não, poderia usar o meu super lenço umedecido antisséptico da Revista Cláudia. Why not? E foi o que fiz. Sem que eu tivesse que parar de falar, interagir com o pessoal, peguei a minha bolsa, fui apalpando o seu conteúdo, até que achasse a embalagem do lencinho. E achei. Lembro-me como se fosse hoje. Nem ofereci a ninguém. Só tinha um. Só eu, que eu soubesse, tinha TOC, então, eu mesma usaria o produto. Rasguei a embalagem e peguei o lencinho. Parecia aquele lencinho que dão nos aviões, antes das refeições, sabem? Porém, ao interagir com o lencinho, senti que ele era um pouco diferente. Ele era um pouco mais grudento, sei lá. Mas não liguei. Logo pensei que aquele grude diferente deveria fazer algum bem, já que era uma novidade, que foi apresentada ao público na Cláudia. Super prestígio. O seu grude deveria significar mais resultado contra as bactérias. Sei lá, viajei no que poderia significar aquilo. E continuamos, todos ali, esperando o nosso café e a conta. Limpei as mãos, joguei a embalagem e o lencinho em um pratinho, que ainda não havia sido retirado. O café chegou, alguns tomaram em um gole só, outros, como eu, ficaram enrolando, até que o café descesse, enfim, tava bem divertido. A conta chegou. Acho que a entregaram ao Ivo Fukamati. Não me lembro bem. Sei que um burburinho começou. Eu não entendi direito da onde estava vindo, mas algumas meninas, que não estava sentadas perto de mim, estavam rindo, de chorar, e não conseguiam contar o motivo para a gente, pois não conseguiam falar, de tanto rir. Estava hilário. A mesa toda começou a rir delas, inclusive eu. Chorei de rir só de vê-las rindo. Quando me dei conta, estavam todos olhando para mim. O motivo de tanto riso era a Loraine. Isso, aliás, era quase sempre normal, mas eu conseguia me superar a cada episódio. Por isso tenho tantas péLôlas para contar. O Luiz, coitado, que estava sentado na minha frente, não se conformava. Por isso digo que ele poderia ter desistido nesse dia, mas não, manteve-se firme. Quis ficar comigo. Acho que até esse dia, ele achava que eu teria salvação. Sobre o meu pratinho, que não tinha sido retirado pelo garçom, estavam: um lencinho umedecido sujo, meio marrom, mistura de shoyu com calda de chocolate do sorvete, e uma embalagem do Vagisil, lenço íntimo umedecido. Dá para acreditar. O produto que veio na Cláudia tinha sido o Vagisil, um ícone do cuidado íntimo da mulher. Perguntem-me se eu percebi? É claro que não. Eu achei que aquele produto fosse, simplesmente, um lenço umedecido para a limpeza rápida e prática das minhas mãos e não de nenhuma outra parte do meu corpo. Caiu a minha ficha...por isso aquele grude estranho. Nem preciso terminar de contar que aquele lenço, sujo, e a embalagem circularam pela mesa toda. Na embalagem ainda estava escrito o seguinte: refrescância a qualquer hora e em qualquer lugar. Solução hipoalergênica, enriquecida com Aloe Vera e vitamina E. Uso em área genital externa. Nunca mais deixaram de falar sobre isso na Visa Vale. Eu mesma, de verdade, até teria comprado mais lencinhos desses, pois se eles limpam, tão bem, as áreas genitais femininas, imagina as nossas mãos? Mas não pude. O Luiz me impediu...kkkkkk...até hoje, antes de pegar qualquer “sample” de produto dentro de alguma revista, olho trinta vezes antes de, simplesmente, usá-lo. Vai que passo por outra dessas? Irreflexão. Acho que esse é o meu modo de operar a vida. Irreflexão como um sinal de alienação da realidade. Se bem que eu acho que o meu jeito tem mais a ver com distração do que com irreflexão. Eu me acho responsável pelo bem-estar vital da Laís, assim como tenho a convicção de que à escola dela cabe o livre desenvolvimento de qualidades e talentos pessoais. A Hannah Arendt, cientista política, que morreu em 1975, defendia isso, que nós, pais, devemos assumir a responsabilidade de conduzir nossos filhos por caminhos que eles desconhecem. Sendo assim, em acreditar no que ela postula, concluo que o que de fato me acontece, quando acontecem essas coisas hilárias comigo, é que, por dar mais importância ao que tem importância, pareço insensata. Portanto, a minha insensatez, aos olhos dos outros, deve ter piorado, ainda mais, de três anos e meio para cá, com a chegada da Laís em minha vida, pois a importância que dou a vida não está no que falo, mas no que tenho proporcionado à ela em todos os campos de sua vida. Então, viva a minha irreflexão!

Comentários

  1. Lô, adoro suas pelôlas!!! Morro de rir! Um bjo enorme. bjos,
    Carol Chichetti

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  2. Imagina os remedios sem ler as bulas... kkkkkkk
    Feliz quem erra e ri de si.

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